Entre flores e paisagem: o casamento de Giovanna Lancellotti e Gabriel David
Na Vinícola Lancellotti, em São João da Boa Vista, a cenografia transformou a propriedade da família em um jardim de cores, estruturas suspensas e memórias afetivas.
O casamento de Giovanna Lancellotti e Gabriel David, realizado na Vinícola Lancellotti, propriedade da família da noiva em São João da Boa Vista, nasceu da relação afetiva com o lugar. Cercada por árvores, montanhas e amplas áreas verdes, a paisagem se tornou o ponto de partida para uma cenografia floral abundante, leve e profundamente conectada ao campo.
A proposta acompanhou os convidados por diferentes ambientes, começando com a cerimônia ao ar livre diante da pequena capela da propriedade e seguindo até a recepção, onde a arquitetura transparente permitia que a natureza continuasse presente.
Em todo o projeto, flores em branco, rosa, lilás, azul e verde criaram uma paleta delicada, pontuada por madeira, estruturas douradas, velas e elementos naturais.
Uma cerimônia transformada em jardim
O caminho até a capela foi envolvido por uma extensa composição floral, instalada de maneira orgânica nas duas laterais da passagem.
Em vez de arranjos isolados, as flores formavam um verdadeiro jardim contínuo, acompanhando todo o percurso dos noivos. Hortênsias, rosas, flores de hastes alongadas e espécies com aparência campestre se misturavam em diferentes alturas, criando movimento e profundidade.
Tons de azul e lilás apareciam entre flores brancas, rosas e pequenos pontos verdes. A combinação valorizava a paisagem ao redor e se destacava sob a luz natural de São João da Boa Vista.
As cadeiras de madeira foram posicionadas sobre o gramado, preservando a atmosfera natural da cerimônia. Ao centro, um caminho em tom neutro conduzia os convidados visualmente até a escadaria da capela.
Na chegada ao altar, os arranjos ganhavam mais volume e subiam pelas laterais dos degraus. Grandes estruturas florais enquadravam a entrada da capela e criavam uma moldura para a cerimônia, sem esconder a arquitetura original da construção.
A vegetação foi também distribuída sobre os muros de tijolos e ao redor do altar, integrando flores, pedra, madeira e paisagem em uma única composição.
A capela como centro da narrativa
Com fachada clara, janelas tradicionais e pequenos detalhes arquitetônicos, a capela tornou-se o centro visual da cerimônia.
As flores foram posicionadas de maneira assimétrica ao redor da entrada, acompanhando o desenho da fachada e criando volumes que pareciam surgir naturalmente do jardim. Luminárias externas reforçavam o caráter acolhedor do espaço.
Em um dos retratos dos noivos, a composição floral se estende pelas paredes e envolve Giovanna e Gabriel. Hortênsias em diferentes tonalidades, flores azuis de hastes altas e pequenos agrupamentos junto ao piso formam um cenário que preserva a identidade da capela enquanto amplia sua presença na celebração.
Flores suspensas na recepção
Na recepção, a linguagem floral ganhou uma interpretação mais arquitetônica.
Grandes estruturas geométricas douradas foram suspensas no teto de vidro, criando diferentes níveis sobre as mesas. Algumas peças apareciam vazadas, enquanto outras recebiam flores e folhagens em movimentos pendentes.
Os arranjos pareciam flutuar pelo salão, acompanhados por ramos leves, folhas de eucalipto e flores em branco e rosa. A transparência da cobertura permitia a entrada de luz e revelava a paisagem externa, criando uma conexão permanente entre o interior e a vinícola.
As estruturas metálicas também ajudavam a organizar visualmente o espaço. Seus desenhos retos contrastavam com a forma livre das flores, produzindo equilíbrio entre geometria e natureza.
Sob a direção criativa de Harley Vix, o projeto transformou os elementos florais em parte da arquitetura, criando uma composição que podia ser percebida tanto de perto quanto nas perspectivas gerais do salão.
Mesas longas e uma atmosfera acolhedora
As mesas de madeira foram dispostas em grandes formações lineares, favorecendo a convivência entre os convidados.
Cadeiras de madeira com encosto em palhinha e assentos claros acompanhavam a composição, trazendo textura e leveza ao ambiente. A escolha do mobiliário dialogava com a proposta campestre da vinícola e com os materiais naturais presentes na propriedade.
A mesa posta foi desenvolvida em tons claros, com louças, guardanapos brancos, taças transparentes e jogos americanos de desenho delicado.
Ao centro, arranjos menores alternavam hortênsias rosadas, flores brancas, tulipas e orquídeas em tonalidades mais intensas. Vasos transparentes e pequenos recipientes escuros ajudavam a criar variações ao longo das mesas.
Velas finas e velas protegidas por recipientes de vidro completavam o cenário. Durante o entardecer, a luz quente das chamas assumia maior presença e criava uma atmosfera ainda mais envolvente.
Arquitetura e flores em continuidade
A recepção foi construída a partir de uma estrutura clara, com grandes aberturas e teto transparente.
Flores subiam pelas colunas, atravessavam as vigas e apareciam sobre os arcos, criando a sensação de que a vegetação estava tomando conta da arquitetura. Em alguns pontos, os arranjos se estendiam horizontalmente, formando longas linhas florais entre os diferentes ambientes.
As cores utilizadas na cerimônia reapareciam na recepção, mas em uma leitura mais leve e distribuída. O rosa, o lilás, o branco e o verde estavam presentes nas mesas, nas instalações suspensas, nos arcos e nos diferentes pontos de circulação.
Em um dos momentos da celebração, um efeito de fumaça azul atravessou o ambiente, adicionando uma nova camada de cor ao cenário e criando uma imagem marcante entre as flores e as estruturas douradas.
Um bar integrado ao jardim
O bar recebeu uma base verde de desenho clássico, instalada diante de uma parede inteiramente coberta por folhagens.
Sobre o balcão, garrafas, utensílios e peças de vidro foram organizados como parte da composição. Ao fundo, uma estante formada por nichos de madeira acomodava bebidas, pequenas plantas pendentes, velas e objetos decorativos.
A paleta mais escura do bar criava um contraste com as flores em rosa, lilás e azul posicionadas à frente. A iluminação quente valorizava a textura da parede vegetal e transformava a operação do bar em um ponto cenográfico da recepção.
Uma celebração ligada à história da família
Realizar o casamento na Vinícola Lancellotti acrescentou ao projeto uma dimensão que ultrapassa a estética.
A propriedade, pertencente à família da noiva, tornou-se parte da história do casal. A capela, as árvores, os caminhos e a paisagem de São João da Boa Vista não funcionaram apenas como cenário, mas como elementos essenciais da narrativa.
A cenografia foi criada para revelar esse lugar, e não para transformá-lo em algo distante de sua essência. Flores abundantes acompanharam a arquitetura, estruturas suspensas trouxeram uma leitura contemporânea e a luz natural percorreu todos os ambientes.
O casamento de Giovanna Lancellotti e Gabriel David foi, assim, construído como um grande jardim: vivo, afetivo e em constante movimento.
Profissionais
Local: @vinicola.lancellotti
Assessoria: @manubiazzo
Decoração: @harleyvix_
Flores: @andrepedrotti
Fotografia: @rickyarruda @annaquast
Bolo: @dolccedolcce
Buffet: @duasgastronomia
Bar: @helpbar