A hora azul em movimento: L’Heure Bleue, de GUERLAIN, ganha atmosfera no JK Iguatemi

Sob direção criativa da BVOLT, a chegada da nova L’Heure Bleue ao Brasil foi traduzida em uma experiência entre diferentes intensidades de azul, movimento, flores e luz. O escritório Harley Vix participou do projeto como colaborador na construção da decoração e do design floral.

Existem projetos em que a decoração ocupa um espaço. Em outros, ela ajuda a traduzir uma sensação.

Para a apresentação de L’Heure Bleue, de Guerlain, no Cubo JK, no Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, a experiência partiu justamente de um instante quase impossível de reter: a chamada hora azul, aquele breve intervalo em que o dia encontra a noite e o céu assume uma tonalidade profunda, suspensa entre luz e escuridão.

L’Heure Bleue faz parte da história da Maison desde 1912, quando Jacques Guerlain criou a fragrância original inspirado nesse momento de transição. Em sua nova interpretação, assinada pela perfumista e diretora criativa de perfumes da Guerlain Delphine Jelk, a íris volta ao centro da composição, acompanhada pela baunilha e por uma construção mais contemporânea. A própria Maison descreve o novo perfume como uma fragrância floral ambarada inspirada no céu durante esse instante suspenso.

No Brasil, esse universo foi apresentado por meio de uma experiência no Cubo JK, no JK Iguatemi, conduzida criativamente pela BVOLT, responsável pelo projeto e pela relação com Guerlain. A ativação também abriu ao público uma experiência imersiva em torno da nova fragrância.

Da fragrância para o espaço

O desafio estava em transformar uma percepção olfativa e visual em ambiente.

A partir da direção criativa desenvolvida pela BVOLT para Guerlain, o escritório Harley Vix foi convidado a colaborar na interpretação decorativa e no design floral da experiência. O trabalho partiu do universo já construído pela BVOLT e buscou encontrar formas de transportar para o espaço elementos presentes na identidade de L’Heure Bleue.

Nos estudos apresentados, diferentes intensidades de azul apareciam combinadas ao dourado, ao off-white e ao verde. O conceito explorava também formas curvas, transparências, mobiliário, vegetação e uma instalação aérea capaz de reagir à luz e ao movimento do ambiente.

A ideia não era apenas preencher o espaço com a cor da fragrância. Era permitir que os convidados se sentissem progressivamente envolvidos por ela.

Um céu construído em camadas

Um dos elementos de maior presença no resultado final foi a instalação aérea em tecido.

Camadas translúcidas em diferentes tonalidades de azul foram suspensas sobre o ambiente, criando grandes volumes ondulados acima dos convidados. Do azul mais claro ao mais profundo, os tecidos se sobrepunham e mudavam de aparência conforme a incidência da luz e o ponto de vista.

A solução nasceu do estudo chamado “Céu em Movimento”, apresentado durante o desenvolvimento do projeto. A proposta previa uma instalação em chiffon com transparências e um degradê de azuis que pudesse dialogar com a luz natural e ganhar movimento no espaço.

No resultado final, essa sobreposição ajudou a materializar uma das imagens mais importantes de L’Heure Bleue: um céu que não possui uma única tonalidade, mas várias camadas acontecendo simultaneamente.

A instalação também modificava a escala do ambiente. Em alguns pontos, os tecidos desciam mais próximos do campo de visão; em outros, abriam espaço para a luz atravessar. O teto deixava de ser apenas uma superfície e passava a integrar a experiência.

O azul traduzido pelo design floral

O design floral aprofundou essa leitura por meio de uma paleta construída entre azul, lilás, violeta, branco e verde.

Grandes composições reuniam hortênsias azuladas, delfínios, lisianthus em diferentes tons de lilás e roxo, statice e pequenas flores brancas, combinadas a folhagens de diferentes desenhos.

Em vez de arranjos compactos e perfeitamente simétricos, o desenho buscava movimento.

Hastes altas apareciam acima dos volumes mais densos. Flores menores avançavam lateralmente. Algumas composições se aproximavam do chão enquanto outras cresciam verticalmente, criando uma sensação de continuidade.

Essa diferença de alturas fazia com que o floral tivesse quase uma função arquitetônica dentro do projeto.

Flores que desenhavam o espaço

No lounge, o floral deixou de ocupar apenas mesas ou pontos isolados.

Grandes faixas de vegetação e flores percorriam o entorno do mobiliário, delimitando áreas de permanência e ajudando a organizar visualmente o espaço. Os arranjos acompanhavam a circulação, aproximando convidados, mobiliário e cenografia em uma mesma paisagem.

Sofás curvos em azul claro, poltronas em tonalidades mais profundas, pufes e pequenas mesas claras com detalhes dourados foram distribuídos entre esses volumes florais.

A repetição das curvas já aparecia desde os estudos iniciais do projeto, que propunham integrar balcão, mesas e lounge por meio de uma linguagem comum.

No resultado final, essa escolha criou um ambiente de permanência sem romper com a fluidez da experiência.

O dourado como contraponto

Entre tantas tonalidades frias, o dourado entrou de maneira pontual.

Ele aparecia em recipientes florais, pequenas mesas, suportes, expositores e detalhes do serviço. O acabamento refletia o azul do ambiente e acrescentava uma luz mais quente às composições.

Essa presença também estabelecia uma conexão visual com o universo da própria Guerlain. O frasco da nova L’Heure Bleue é apresentado pela Maison em um degradê azul com o nome aplicado em dourado, reforçando justamente esse encontro cromático.

Nos ambientes, o dourado nunca dominava. Funcionava como acento.

O café como parte da experiência

Outro ponto importante do projeto foi pensar o momento de pausa também dentro da mesma linguagem.

Desde a etapa de desenvolvimento, o Ritual do Café e Set Botânico fazia parte das propostas apresentadas à BVOLT. A intenção era criar um espaço de convivência que permanecesse conectado ao conceito geral da experiência.

No resultado final, o serviço manteve a narrativa cromática.

Pratos em azul profundo, louças com listras azuis e brancas, cúpulas de vidro, suportes dourados e pequenos elementos gastronômicos em diferentes tons de azul davam continuidade à identidade do evento.

Os arranjos florais também estavam presentes nesse ambiente, impedindo que o café funcionasse como uma área visualmente separada da ativação.

Tudo permanecia dentro da mesma atmosfera.

Ficha técnica

Marca: Guerlain | @guerlain
Projeto, direção criativa e condução: BVOLT | @bvolt.pr
Colaboração em decoração e design floral: Harley Vix | @harleyvix_
Mobiliário: Festa H Móveis | @festahmoveis
Produção: DFilipa | @dfilipa
Flores e plantas: Buba Flores e Plantas | @bubafloreseplantas
Flores: Veiling Holambra | @veilingholambra
Produção floral: China Alves | @chinaalves
Bar: Help Bar | @helpbar
Gastronomia: Buffet Zest | @buffetzest

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